DIÁRIO DE UM MOCHILEIRO - ENTRE O MEDO E O ENCANTO

 Diário de um Mochileiro – Entre o Medo e o Encanto

Ela chegou como o vento que muda o clima sem pedir permissão — leve, mas carregando uma força que ele não esperava sentir de novo. Não houve aviso, nem tempo pra preparar o coração. Um dia ela apenas apareceu, e bastou uma conversa pra que o mundo dele parecesse mais vivo. Desde então, até o som do vento parece falar o nome dela.

Ele, que sempre andou só pelas estradas da vida, sonha agora em ter companhia pra mostrar o que há de mais bonito — as serras que o acolhem, os rios que o acalmam, os céus que ele aprendeu a admirar. Sonha em poder dividir histórias, risadas e silêncios, e ver o brilho dos olhos dela diante daquilo que sempre foi sua casa: a natureza.

Mas por trás do encanto, há o medo. Um medo profundo, quase antigo, que ele carrega como cicatriz de outras vidas. Ele se acostumou a não ser prioridade — a ser a escolha fácil de deixar pra depois, o abrigo que só lembram quando o tempo muda. Aprendeu a disfarçar a dor com sorrisos, a fingir indiferença quando, por dentro, tudo queimava em silêncio.

E agora, mesmo diante de alguém que desperta o melhor nele, o medo volta a sussurrar. Ele teme perder o que talvez nunca tenha tido de verdade. Teme que um dia ela encontre alguém mais certo, mais inteiro, mais “adequado” — e que ele, mais uma vez, fique assistindo de longe, tentando se convencer de que está tudo bem. Porque é isso que sempre fez: se conformar.

Mas o coração dele é teimoso. Mesmo machucado, ainda acredita. Mesmo sem garantias, ainda se entrega. Ele tenta conter o sentimento, mas basta ouvi-la falar, ver uma mensagem aparecer, que o mundo parece mais bonito, mais calmo, mais cheio de cor. E é nesse instante que ele percebe: algumas pessoas são como a chuva depois da seca — chegam pra despertar o que parecia morto.

Ele não quer ser o centro da vida dela, só não quer ser esquecido. Quer poder cuidar, mesmo à distância; quer poder estar por perto, ainda que em silêncio. Porque o que sente não é sobre posse, é sobre presença — sobre querer o bem, mesmo sabendo que o destino pode separá-los a qualquer momento.

Nas noites de solidão, ele olha pro céu e imagina que, em algum lugar, ela também esteja vendo as mesmas estrelas. E ali, entre o medo e o encanto, entre o querer e o aceitar, ele entende que certas pessoas não chegam pra nos pertencer — chegam pra nos acordar.

E talvez seja isso que ela é pra ele: o amanhecer depois de uma longa tempestade. 🌄💫

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